Quando o Direito vira Luto: Por que escolhi o Direito Médico depois de perder minha irmã
- Sandra Djuric

- 25 de fev.
- 3 min de leitura
Atualizado: 26 de fev.
Este não é um texto técnico. Não é um artigo jurídico. É a única história que nunca consegui transformar em tese ou parecer, porque não existe norma capaz de organizar o que o luto desorganiza.
Entrei no Direito Médico por um motivo que nunca desejei ter.
Perdi minha irmã por causa de um erro médico.
Não foi rápido. Não foi simples. E não foi “superado”. A morte não encerra nada, ela transforma. E eu preciso aprender a viver com o que restou.

O que resta depois que a vida se parte
Durante muito tempo, tentei resolver racionalmente uma dor que não tem lógica.
Nesse processo, descobri algo que nenhuma formação jurídica, psicológica ou executiva prepara: a perda de alguém que se ama muda a arquitetura interna de quem sobreviveu.
A minha mudou.
Eu não escolhi o Direito Médico por interesse acadêmico.
Eu fui para o Direito Médico porque a vida colocou essa área na minha porta sem aviso, sem escolha e sem retorno.
Foi preciso enfrentar os fatos, os prontuários, as perguntas sem respostas e o silêncio de um sistema que ainda falha muito, de todos os lados.
Atuar pelas duas partes não é contradição. É consequência.
Quando você perde alguém por falha médica, o impulso natural é querer justiça. E ela é necessidade, porque vidas importam, vínculos importam, histórias importam.
Mas com o tempo, algo se torna evidente: Não basta reparar o dano. É preciso evitar que isso aconteça.
Nenhum processo judicial devolve a vida. Nenhum acordo compensa o vazio. Nenhuma sentença excluí a ausência.
Foi exatamente isso que me fez atuar tanto para famílias que perderam alguém, quanto para clínicas, médicos e hospitais que precisam melhorar seus processos para não repetir tragédias .
Não é sobre escolher um lado. É sobre enxergar um sistema inteiro adolescente.
E só se transforma um sistema quando se trabalha nele, de todos os ângulos.
A verdade que ninguém gosta de dizer em voz alta
No mundo real, erro médico não nasce do “descoberto”. Ele nasce de:
equipes exaustas,
falha de comunicação,
protocolos incompletos,
ausência de conformidade,
prontuários desorganizados,
decisões tomadas sob pressão.
E nasce também da falta de preparo emocional de profissionais que carregam vidas nas mãos, mas nunca foram treinados para lidar com a própria dor.
A dor que eu vivi me mostrou algo cruel e verdadeiro: sem gestão, sem ética e sem estrutura, o risco é uma consequência natural, não um acidente.
Transformar algo em propósito não cura, mas direciona
Eu não romantizo a dor.
Não transformo perda em frase motivacional. Não diminuo o que aconteceu comigo, nem com quem me procura pedindo ajuda.
O que fiz, e continuo fazendo, é construir um caminho profissional que dê algum sentido àquilo que não tem explicação.
O Direito Médico se tornou o espaço onde eu tento evitar que outras famílias vivam o que a minha viveu.
E também o espaço onde eu ajudo profissionais de saúde a fazerem melhor, porque a maioria deles não quer errar. Eles erram porque o sistema falhou, e eu sei disso por dentro e por fora.
Este blog nasceu também com esse compromisso
Aqui, você vai encontrar:
orientações para evitar erros médicos,
análises para fortalecer a segurança de pacientes e de equipes,
reflexões humanas sobre luto, cuidado e responsabilidade,
e estratégias de gestão e conformidade para que o sistema de saúde funcione melhor.
Porque eu não acredito em atuar “contra” ou “a favor”.
Acredito em atuar para que ninguém precise passar pelo que eu passei .
Se você está vivendo um caso de alta complexidade, ou quer prevenir riscos em sua instituição, meu trabalho é justamente construir essa ponte.
Entre em contato para análise técnica e estratégica.
Nada traz uma vida de volta.
Mas tudo o que fazemos enquanto estamos aqui pode evitar novas perdas.

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